O que são Futuros?



Futuros são contratos que consistem num acordo padronizado, reversível, de compra e venda de uma dada quantidade e qualidade de um bem, ou de um serviço, num local e numa data futura específica, a um preço fixado no presente. Ou seja, em termos menos formais, os futuros permitem que se combine o preço de compra ou venda de um activo hoje, para uma transacção que só vai acontecer efectivamente no futuro.


Imagine um produtor de trigo que acabou de fazer as sementeiras. A colheita só acontecerá daqui a 6 meses, suponhamos. Se o preço da tonelada de trigo cair daqui até à colheita, o agricultor pode ter prejuízos ou ver o seu lucro diminuir, e o seu investimento, proveitoso ao preço actual, pode tornar-se ruinoso no futuro. Inversamente, se o preço do trigo subir, o retorno do investimento aumentará. Mas um agricultor não é naturalmente um agente tomador de riscos, é provavelmente um agente com aversão ao risco. Como pode o agricultor dormir descansado, sabendo hoje o preço a que vai vender a sua colheita no futuro?

O agricultor vende futuros sobre a tonelada de trigo a seis meses, transferindo o risco do seu investimento para um agente mais preparado: o especulador. Ao vender futuros o agricultor celebra um contrato em que se compromete a vender uma determinada quantidade de trigo, numa determinada data, a um preço determinado hoje. O especulador compromete-se a comprar essa quantidade, nessa data, ao preço acordado no presente. O agricultor livra-se do risco, garantindo um comprador e um preço de venda. O especulador toma o risco, ganhando se o preço subir e perdendo se o preço descer. De facto, se o preço subir, o especulador vai comprar barato (o preço actual) e vender mais caro no mercado ao preço que vigorar nessa altura. Se o preço descer, o especulador é obrigado a comprar caro (o preço actual) e a vender mais barato, no mercado, quando chegar a altura, realizando uma menos-valia.

Outros exemplos:


1) A Lisnave faz um contrato de arranjo de um super-petroleiro cujo pagamento será feito em USDólares daqui a um ano. Qual será a receita em euros? Se o euro desvalorizar, os mesmos dólares valerão mais euros na altura do pagamento. Se o euro se valorizar a Lisnave vai ser prejudicada, pois recebendo em dólares, quando os trocar por escudos terá uma receita menor. Para garantir uma determinada receita em euros a Lisnave pode vender futuros sobre o Euro/USDólar, seguindo o procedimento do agricultor.

2) A EDP pede um empréstimo com taxa variável, indexada à EURIBOR. Corre o risco da EURIBOR subir e começar a ter encargos superiores em juros. Para se cobrir deste risco a EDP pode comprar futuros sobre a EURIBOR, ganhando nos futuros o que perde no acréscimo de pagamentos em juros.

Estes exemplos mostram qual é a função primordial do mercado de futuros: cobrir riscos. Mas para que o mercado funcione, também têm que existir os especuladores. Presentemente, o mercado de futuros é principalmente um palco de especulação e os contratos transaccionados são sobretudo sobre variáveis económicas e índices bolsistas, como o S&P 500. Os futuros sobre produtos agrícolas não têm sequer um mercado organizado em Portugal e apenas têm alguma expressão nos EUA, que se calhar não é por acaso que têm a agricultura mais desenvolvida do mundo.

Passando à frente que a agricultura não é a nossa especialidade, vou descrever os contratos de futuros que presentemente podem ser transaccionados em Portugal.

Futuros existentes no mercado português

No nosso mercado de derivados (derivados são futuros e opções) existem futuros sobre as OT 10, sobre a EURIBOR a 3 meses, sobre o índice PSI 20 e sobre as acções mais líquidas do nosso mercado accionista: a Portugal Telecom, a EDP, o BCP e a Cimpor.

Estratégias de intervenção no mercado de futuros

Para intervir no mercado de futuros podemos optar por três vias:

1) Hedging ou cobertura de risco.

Esta é a principal função do mercado de futuros. Já foi descrita nos exemplos da primeira parte. Passando ao mercado português, vamos imaginar que o director de um fundo de investimento em acções nacionais pensa que o mercado deverá cair nos próximos tempos. Não vai vender as acções em carteira, para não encharcar o mercado de oferta e aprofundar a queda, transformando-a num colapso que é sempre negativa para a bolsa em termos de longo prazo e para a indústria dos fundos de investimento. Assim, o director do fundo pode optar por vender futuros sobre o PSI 20 e cobrir-se do risco das acções caírem. Obviamente que se elas subirem, também não ganha, pelo menos tanto como ganharia se não tivesse vendido futuros sobre o PSI 20. É a vida.

2) Arbitragem

Os futuros têm um mercado próprio que tem uma procura e oferta que normalmente não coincide exactamente com os preços negociados no activo base. Existe uma diferença e essa diferença pode ser aproveitada para lucrar numa operação de risco nulo. Vamos novamente a um exemplo: imagine que a EDP está a 15 euros no mercado à vista, ou seja, na BVL. Nos futuros, que têm a sua maturidade a 18 de Junho, a EDP está a ser negociada a 15.10 euros, pois espera-se que a EDP suba nas próximas semanas.

O arbitragista pode comprar acções a 15 na BVL e vender futuros a 15.1 na BDP, ao mesmo tempo, ganhando automaticamente 0.1 euros por acção.

Na data da maturidade, o arbitragista entrega as acções que comprou a 15, recebendo por elas 15.1 euros. Repare que esta operação não envolve qualquer risco, mas também tem uma rendibilidade reduzida, desgastada pelas comissões e pelo custo de oportunidade de uma aplicação no mercado monetário do Euro. Estas oportunidades são raras pois a existirem são imediatamente aproveitadas fazendo a procura aumentar no mercado accionista e a oferta aumentar no mercado de futuros, tornando os preços praticados nos dois mercados iguais ou tão semelhantes que tendo em conta as comissões, nenhuma operação de arbitragem produzirá lucros.

3) Especulação

É isto que nos interessa. Relativo ao Day Trading dei um exemplo com a EDP que me parece que deu para perceber como funciona a especulação com futuros. Assim, não vou repetir o exercício, apenas vou voltar a referir que um ganho no mercado accionista de 1% corresponde a aproximadamente um ganho de 10% no mercado de derivados, e que nos futuros se pode ganhar tanto com a subida como com a descida das cotações.

Uma dúvida que costuma surgir em quem enfrenta o mercado de futuros pela primeira vez consiste na forma como se fecham as posições abertas.

Se comprar futuros abre uma posição longa. Se vender futuros (sem ter comprado previamente) abre uma posição curta.

Pode fechar uma posição a qualquer momento, não precisa de esperar pela data da maturidade dos contratos. Imagine que tem uma posição curta em futuros PSI 20, ou seja, está a apostar na queda do mercado em geral. Imagine que o mercado vai na sua direcção e começa a cair.

Cai 5% e você quer segurar o lucro obtido (50%), pois tem dúvidas se não haverá agora uma reacção técnica devido ao estado «oversold» do mercado.

Compra o mesmo nº de contratos que tinha vendido inicialmente, ficando a sua posição fechada, pois transferiu a sua obrigação inicial para o agente que lhe vendeu estes últimos contratos.

Exemplos do potencial de ganho e risco no mercado de futuros

Devido ao mercado de futuros corresponder a transacções que só vão efectivamente acontecer no futuro, se acontecerem (pois todas as posições podem ser encerradas antes da expiração dos contratos), não é necessário imobilizar ou sequer possuir os montantes envolvidos nos contratos, apenas sendo necessário depositar uma pequena margem, normalmente equivalente a 10% do valor do contrato.

Por exemplo, para comprar 5 futuros EDP, que "valem" por 500 acções EDP, apenas necessita de depositar 500 euros, em vez dos 5000 euros que necessitaria para comprar as 500 acções.

Assim, o potencial de ganho e o risco da especulação em futuros é 10X superior em relação às acções.

Uma história paradigmática para explicar o que são os futuros:

Conta-se numa corretora que um jovem de 20 e poucos anos abriu uma conta de futuros em 97 com 2500 euros. Enquanto durou o Bull Market, ou seja, enquanto o mercado subiu, o nosso herói foi reinvestindo, transformando esses 2500 euros em 350.000 euros. "Se fui dos 2500 aos 350.000, poderei ir dos 350.000 aos 2milhões e meio de euros" pensava ele. Assim, em Abril de 98 estava completamente investido e completamente longo. Porém, num dia de chuva o mercado decidiu cair. "Uma correcção técnica apenas, vou comprar mais". Mas como eu disse, os ganhos e perdas nos futuros são 10X superiores às acções. Assim, uma queda de 10% quando se está totalmente longo é catastrófica, pois significa que o nosso património foi apagado, com uma perda de 100%. Não vou martirizar mais o leitor, apenas conto o óbvio final da história: o nosso herói não só rapidamente perdeu os 350.000 euros como ainda se endividou consideravelmente.


Por isso, a melhor estratégia para quem não é profissional no mercado de futuros, como eu, é entrar e sair rápido no mercado. Queremos apenas fazer “escalping” ou seja, retirar um pequeno dividendo para ter independência financeira, não queremos ser milionários. Queremos dormir descansados e não ficar a pensar se durante a noite a nossa posição aberta no mercado irá encerrar negativa. É o que faço: Compro e vendo em poucos minutos e guardo o dinheiro no bolso. As potencialidades são imensas: Se com 1 contrato ganho um ponto=50 dólares. 1 pontoX2 contratos =100 dólares. Se fizer 3 pontos por dia terei no fim do mês 3000 dólares. Mas se juntar mais um contrato duplicarei este valor. Assim, como podem ver, este mercado é aliciante e o limite... será até onde conseguirmos ir...

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